Agorismo

A Contra-economia de mercados da Coreia do Norte

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A República Popular Democrática da Coreia é um regime criminoso construído sobre propaganda e medo. Um reflexo do que George Orwell viu na União Soviética, quando ele escreveu de 1984.”

Mitchell Wiecek – “A República Popular Democrática da Coreia é um regime brutal que é rápido e eficiente em silenciar a dissidência. O país também tem sido uma linhas cruzadas dos Estados Unidos e outros países ocidentais por algum tempo. Para entender os atuais problemas enfrentados pelo país é preciso olhar para a história da Coréia do Norte, e o que levou à ascensão de um regime tirânico no país.”

A história do estado moderno da Coréia do Norte começa logo após a segunda guerra mundial. A ocupação japonesa anterior havia terminado, e o país foi dividido em duas regiões. Com as forças soviéticas ficaram o norte, enquanto as forças dos Estados Unidos tomaram o sul.

Foi em 1948 que a República Popular Democrática da Coreia foi estabelecida com Kim Sung II instalado pelos soviéticos como o governante. Foi neste momento que as tropas soviéticas se retiraram das muitas áreas do Norte.

Os Estados Unidos não aprovou o novo regime. As políticas de Kim não favorecia o interesse social ocidental. Então eles começaram a financiar grupos no sul que favoreciam as políticas dos EUA em oposição as soviéticas. Eventualmente, em 1950, o sul declarara-se independentes do norte. Assim, começando a Guerra da Coréia.

A guerra durou três anos com os Estados Unidos fornecendo apoio militar ao sul. Os soviéticos desde muito cedo oferecendo ajuda e apoio aéreo para o norte, mas não forneceu tropas como os Estados Unidos, eventualmente, um cessar-fogo foi acordado por ambos os lados.

Em 1994, o governante de longa data da RPDC Kim Il Sung faleceu. Deixando o seu reino a seu filho Kim Jong Il. Os anos seguintes trariam grande sofrimento e grandes dificuldades para a região. Graves inundações no país levaram a fome deixando muitos mortos. Levando à morte de mais de três milhões de pessoas.

Durante este tempo, o regime de Kim estava aterrorizado com o povo se rebelando. Assim, o regime tornou-se ainda mais brutal e eficiente com a supressão de qualquer ideia revolucionária muito rapidamente. Vídeos contrabandeados para fora da RPDC mostram execuções públicas daqueles que se opuseram ao regime Kim. O Reinado de Kim Jung Il durou até 2011, quando ele morreu. Quase imediatamente depois, seu filho, Kim Jung Un foi nomeado o “grande sucessor”.

Ao longo dos anos, os Estados Unidos tem procurando uma maneira de derrubar o regime de Kim, e instalar um governante que caberia melhor aos interesses dos EUA. Enquanto a Coréia do Norte tem lutado para manter um estado tão brutal e repressivo quanto os anteriores.

A fronteira entre o norte e sul é fortemente vigiada em ambos os lados. Foram muitas as tentativas para escapar do regime através da China. O problema com isto é que se forem apanhados na China eles são enviados de volta à Coreia do Norte para enfrentar o mesmo destino que o de Winston Smith em 1984. Então, onde é que isto deixa as pessoas? Que esperança que eles têm de ser preso entre o punho de ferro de dois poderes? As respostas são bastante surpreendentes e existe desde os primórdios da história registrada. É apenas graças a esta nova era digital, que somos capazes de vê-la em ação.

Os mercados negros têm permitido que vídeos e conteúdos de dentro da coreia façam seu caminho para fora das fronteiras do regime. Além de permitir que bens estrangeiros entrem no país atendendo necessidades da população. O regime de Kim não é estúpido, eles sabem que esses mercados negros representam uma séria ameaça ao seu poder. No entanto, eles também sabem que não podem acabar com esses mercados inteiramente. É por isso que o regime tolera pequenos mercados negros, mesmo que vender produtos para ganho pessoal seja ilegal no país.

Os Estados Unidos também percebeu que o povo coreano participando ativamente da contra-economia é uma ameaça aos seus interesses. Os mercados negros realmente pode fornecer a mudança real que a Coréia do Norte precisa. Engajar-se na contra-economia forneceu elementos de livre comércio que beneficiariam grandemente as pessoas do norte, mas que ameaçam empresas estrangeiras. É por isso que os EUA vão usar qualquer desculpa que podem para sancionar ainda mais a norte. Estas sanções mais rigorosas não só vai prejudicar os governantes atuais da RPDC, mas também irá ferir aqueles que se envolvem em atividades no mercado negro.

Engajar-se na contra-economia nos mercados negros sempre conduziu ao fim dos regimes tirânicos. Em seu trabalho, An Agorist Primer, o filósofo político Samuel Edward Konkin III cita vários exemplos de como a contra-economia deixou regimes autoritários de joelhos. Mais notavelmente, embora Konkin mostre como contra-economia trouxe a União Soviética a seus joelhos. Se olharmos para a Coreia do Norte hoje podemos ver as mesmas forças do mercado negro sufocando o regime de Kim. Tráfico de pendrives e mídias que lá são restritas aos membros do governo, alimentos, produtos e serviços, transmissões de rádio ilegais, arquivos levados para fora por aqueles que desertaram do estado, contrabandistas saltando a fronteira para conseguir dinheiro e trazendo de volta à Coreia do Norte milhares de produtos antes inacessíveis, todos são bons exemplos de contra-economia que estão minando o regime. Porque, se há qualquer verdadeira esperança para o povo da RPDC ela está no mercado negro.

Traduzido por Vinícius Morgado
Publicado originalmente em Pontiac Tribune. Para ler o original clique aqui.

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Samuel Konkin e a teoria libertária

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Los Angeles, entre os finais dos anos 70 e o início dos anos 80, foi uma época próspera para os libertários. Nesses anos tive a sorte de conhecer muitas das notáveis personalidades e escritores influentes que viviam na área de Los Angeles, entre eles, Sam Konkin, ou dando seu nome completo, Samuel Edward Konkin III, foi um dos mais significativos.

Não se podia deixar de vê Konkin em qualquer reunião libertária. Para mostrar suas ideias anarquistas, ele se vestia completamente de preto, uma cor associada com esse movimento desde o século XIX. Se alguma vez já mudou de estilo, não poderia dizer, porque não o conhecia muito bem, mas nas ocasiões em que o via, estava sempre com essa cor.

Konkin tinha um dom para inventar palavras que atraíam o público libertário, e inclusive alguns libertários não familiarizados com Konkin utilizam hoje seus termos. Ele chamava os partidários de um Estado mínimo de “minarquistas“, condenou os do Partido Libertário (Libertarian Party) como “partidarquistas“, e alertava contra a influência indevida dos “Kochtopus”. Me recordo até de outros de seus termos, que não ficou tão famoso. Este se originou do seu desdém pelos minarquistas; em particular, não era um admirador do líder teórico minarquista, Robert Nozick. Não acho que isso chegou a ser escrito, mas chamava os seguidores de Nozick de “Nozis”. Isto era um pouco cruel, mas em qualquer caso era divertido.

Konkin era muito mais que um genial criador de termos. Murray Rothbard, que muitas vezes estava em desacordo com Konkin, disse dele: “E, no entanto, os escritos de Konkin são bem vindos. Porque nós necessitamos de muito mais policentrismo no movimento. Deve-se a ele a sacudida nos “partidarquistas” que costumam cair na complacência impensada. E, acima de tudo, porque ele se preocupa profundamente com a liberdade e pode ler e escrever, qualidades estas que parecem estar fora de moda no movimento libertário.” (‘Konkin on Libertarian Strategy“)

Se examinarmos a obra principal de Konkin, “O Manifesto do Novo Libertário“, confirmaremos a opinião favorável de Rothbard sobre ele. Embora seu pensamento nem sempre gere concordância, demonstra uma notável originalidade, e levanta questões bastante pertinentes. Ele começa como um ataque sustentado contra o Estado como um predador e um criminoso: “Essa instituição de coerção, que centraliza a imoralidade, dirigindo o roubo e o assassinato e coordenando a opressão numa escala inconcebível pela criminalidade aleatória existe. Ela é a Máfia das máfias, a Gangue das gangues, a Conspiração das conspirações. Ela já assassinou mais pessoas em alguns anos recentes que todas as mortes da história até esse momento; ela já roubou em alguns anos recentes mais do que toda a riqueza produzida na história até esse momento; ela iludiu – para sua sobrevivência – mais mentes em alguns anos recentes do que toda a irracionalidade da história até esse momento. Nosso Inimigo, o Estado.”

Para os leitores de Rothbard, esta é a tendência geral, porém Konkin logo mostra que se diferencia de Rothbard em aspectos importantes. Por um lado, rejeitou as punições por violações ao princípio da não-agressão: só a restituição é justificável. “Devemos concluir esta descrição da teoria da restauração lidando com algumas das objeções mais comuns a ela. A maioria delas se reduz aos desafios de estabelecer um valor aos bens ou pessoas violadas. Deixar o impessoal mercado e a vítima decidir parece o mais justo tanto para a vítima quanto para o agressor. O último ponto pode ofender alguns que pensam que a punição é necessária para o mal no pensamento; a reversibilidade do fato não é suficiente para eles.”

A verdadeira novidade na teoria de Konkin surgiu de sua proposta de luta contra o Estado. Os libertários, dizia ele, devem abandonar a ação política. Em vez disso, devem ignorar o Estado em sua vidas diárias na medida do possível. Para isto, devem realizar seus negócios no mercado negro ou cinza. “Além de uns poucos esclarecidos novos libertários tolerados nas áreas mais liberais dentre as estatistas ao redor do globo (“tolerância” existe em relação ao grau de contaminação libertária do Estatismo), nós agora percebemos algo mais: grandes números de pessoas que estão agindo de forma agorista, com pouco entendimento de qualquer teoria, mas que são induzidas pelo ganho material a evadir, evitar ou desafiar o Estado. Certamente elas tem um potencial promissor.” No mercado negro, os bens que o Estado considera ilegais são comprados e vendidos, é claro fora do domínio do Estado. Os produtos que não são ilegais, mas são vendidos sem o conhecimento do Estado formam o mercado “cinza”. Konkin chamava as transações destes mercados, assim como as demais atividades que evitavam o Estado, de “contra-economia”. Transações pacíficas tem lugar num mercado livre ou “ágora”: daí o termo “Agorismo” para a sociedade que objetivava alcançar.

Para que este processo ocorra, uma importante condição deve ser cumprida, e Konkin sabia disso. Um grande número de pessoas devem atuar como empreendedoras independentes, ao invés de trabalharem como assalariadas. Para o Estado seria pouco provável ignorar as altamente estruturadas empresas; só os indivíduos ou no máximo grupos muito pequenos, poderiam aspirar se livrarem de suas garras. Muito melhor, argumentou Konkin. Os indivíduos livres, acreditava ele, deveriam, em qualquer situação, não ter que trabalhar para os demais.

Contudo, poderia uma sociedade em grande escala se formar caso a totalidade das pessoas trabalhassem só para si mesmas? Murray Rothbard não acreditava. Ele levantou contra Konkin uma objeção importante: “Em primeiro lugar, há um erro fatal, que não só vicia a estratégia agorista de Konkin, como também o permite fugir do problema da organização (veja abaixo). É essa surpreendente opinião de Konkin de que trabalhar por salários é de alguma maneira anti-mercado ou anti-libertário, e desaparecia em uma sociedade livre. Konkin afirma ser um economista austríaco de livre mercado, e como pode dizer que a venda voluntária de mão de obra por dinheiro é de alguma maneira ilegítima ou não libertária. Por outro lado, é simplesmente absurdo que acredite que, no mercado livre do futuro, o trabalho assalariado desaparecerá. A contratação independente, tão amigável como alguns a vêem, não é rentável para a atividade industrial. Os custos de transação seriam muito altos. É absurdo, por exemplo, imaginar a fabricação de automóveis por meio de contratantes independentes ou trabalho por conta própria.”

Konkin respondeu, com seu estilo característico, mas na minha opinião, sem sucesso; mas os leitores podem julgar por si mesmos. Ao invés de analisarmos em detalhes o agorismo de Konkin, gostaria de me concentrar na parte menos conhecida, mas mais estimulante e provocativa do seu pensamento.

Konkin rechaça por completo a propriedade intelectual e em 1986 escreveu um importante artigo sobre o tema. Alguns leitores podem considerar este fato surpreendente, já que acreditam que a “revolução anti-PI” é uma coisa dos nossos tempos, mas esta noção é baseada num mal-entendido. Muitas pessoas acredita que a maioria dos libertários, até a recente revolução, apoiavam as patentes e os direitos autorais. É claro que Ayn Rand e seus seguidores apoiam a PI, mas de maneira alguma todos os libertários fora do seu rígido círculo estavam de acordo com ela. Pelo contrário, as posições anti-PI estavam muito no ar, há trinta anos: Wendy McElroy se destaca sobre tudo em minha mente como uma forte e eficaz crítica a PI. Mesmo antes, Rothbard em “Man, Economy, and State” (1962) estava a favor de substituir o sistema de patentes e direitos autorais por acordos contratuais, negociados livremente. (Se você se mover para fora do libertarianismo moderno, Benjamin Tucker atacou a PI há mais de um século, como Wendy McElroy documentou em um notável artigo).

Konkin sustentava que os direitos de propriedade privada se derivavam da escassez. Mas as ideias não são escassas; uma pessoa usando uma ideia não impede automaticamente ninguém de utilizá-la. “A propriedade é um conceito retirado da natureza do homem para determinar a distribuição de bens escassos – todo o mundo material – entre gananciosos egos competindo. Se tenho uma ideia, é possível que você também a tenha e isso não tirará nada de mim. Usará as suas como quiser e eu farei o mesmo com as minhas.” Não há, pois, nenhuma base na lei natural da propriedade que se aplique as ideias.

O que acontece se alguém negar isso? Não poderia alguém, então, dizer que qualquer um que invente uma palavra deveria deter a propriedade sobre ela? Um libertário notável daqueles dias, Andrew Joseph Galambos, não recuou ao defender exatamente isto, mas a maioria dos defensores da PI se negaram a submeter sua lógica até o final. Com base em que, no entanto, certo? “A. J. Galambos, bendito seu coração anarquista, tratou de levar os direitos autorais e as patentes a sua conclusão lógica. Toda vez que criamos um termo, o primeiro a fazê-lo deveria cobrar royalties. As ideias terem proprietário, disse ele, resulta em loucura e caos.

Para Konkin, o argumento contra a propriedade intelectual com base na lei natural era de importância fundamental, mas confrontou os defensores da propriedade intelectual usando argumentos utilitaristas próprios. Não era verdade, disse ele, que os autores não poderiam escrever sem a proteção dos direitos autorais. Aqueles que escrevem pelos benefícios financeiros continuariam a encontrar amplos incentivos econômicos num mundo sem PI: “Mas, então, a eliminação instantânea dos direitos autorais teria um efeito negligenciável sobre o sistema de estrelas. Enquanto isso cortaria a renda vitalícia e suculenta dos escritores populares, isso não teria qualquer efeito na sua maior fonte de renda: o contrato para o próximo livro (ou escrito, peça ou mesmo artigo de opinião ou crônica). É aí que está o dinheiro. “Você só é tão bom quanto a sua última obra” – mas você arrecada para tanto na sua próxima venda. As decisões de mercado são feitas sobre vendas antecipadas.”

Konkin novamente antecipa outro tema muito desgastado na recente revolução. Ele rastreia a origem da PI até chegar às concessões estatais para privilégios monopolistas: “Se os direitos autorais são tão ruins, como e por que eles se desenvolveram? Não foi pelo processo de mercado. Como todos os privilégios, eles eram concessões do rei. A ideia não tinha – nem poderia ter – surgido até a Prensa de Gutenberg e isso coincidiu com a ascensão da divindade real, e pouco depois, no avanço do mercantilismo.” Ele conclui da forma característica: “Isto [o direito autoral] é uma criatura do Estado, o morceguinho do Vampiro. E, ao que me consta, a palavra deveria ser copywrong.”

Não foi Konkin que deu origem a estes argumentos, mas é seu mérito singular dar-lhes uma enunciação distintivamente libertária. A maior parte das considerações em favor e em oposição das patentes e dos direitos autorais já são conhecidas há muito pelos economistas. Em Ação Humana, por exemplo, Mises menciona que ideias ou “fórmulas”, como ele as chama, podem ser utilizadas por muitas pessoas ao mesmo tempo. Ele também observa que as patentes começaram como privilégios monopolistas. Acabar com a propriedade intelectual pode transformar as invenções inteiramente em mercados externos; contra isso devem ser pesadas as vantagens advindas ao primeiro criador. Não há indicação no breve tratado de Mises que ele tivesse pensado que suas observações fossem originais. Ao contrário, ele parece estar resumindo um consenso bem firmado sobre as considerações importantes. (Ver Human Action, Scholar’s Edition, pp. 657-658.)

O trabalho de Konkin sobre PI merece pelo menos igual reconhecimento quanto a sua melhor mais bem conhecida defesa da contra-economia e do agorismo; e, conforme opiniões anti-PI prevalecem entre os libertários, eu prevejo que Sam Konkin será um nome que ouviremos com frequência.

Agorismo e Nazismo: um estudo sobre opostos

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BannerNo episódio Gorilla Experiment de The Big Bang Theory, o Dr. Sheldon Cooper tenta ensinar um pouco de física rudimentar a Penny. Fiel à sua natureza pedante, Sheldon começa seu esboço de história da física mencionando a ágora, de onde tiramos o termo moderno agorismo. Depois do livro An Agorist Primer, de Samuel Edward Konkin III (SEK III), a palavra “ágora” é usada ainda até hoje para descrever  ”mercado aberto”.

Para o agorista moderno, a ágora ou o livre mercado não corrompido constitui o objetivo a ser alcançado; o meio de transição do estatismo atual para a ágora é chamado de “contraeconomia”. Segundo SEK III em seu livro An Agorist Primer, “toda ação humana não-coercitiva cometida em desafio ao estado constitui contraeconomia”. Ele cita alguns exemplos específicos do que se quer dizer por ação não-coercitiva em desafio ao estado:

– Sonegação;
– Evasão de inflação;
– Contrabando;
– Livre produção;
– Produção desregulamentada em pequena escala
– Distribuição ilegal;
– Livre fluxo tanto de força de trabalho (imigração ilegal), quanto de capital através de fronteiras;
– Informação e sigilo informacional;
– E muito mais.

A ideia geral da contra-economia é muito semelhante ao que Robert Neuwirth chama na entrevista Why Black Market Entrepreneurs Matter to the World Economy (Por que empreendedores no mercado negro são importantes para a economia mundial) de Sistema D . Neuwirth diz que:

há uma palavra francesa para alguém que é auto-suficiente ou engenhoso: débrouillard… a economia de rua… l’économie de la débrouillardise – a economia da auto-confiança, ou a economia DIY se quiser. Eu decidi usar este termo – encurtando-o para Sistema D – porque é uma forma menos pejorativa de se referir ao que tem sido chamado tradicionalmente de economia informal ou mercado negro ou até mesmo economia subterrânea. Estou basicamente usando o termo em referência a toda atividade econômica não captada pelo radar do governo. Ou seja, não registrada, não regulamentada, não tributada, mas não completamente criminosa – não incluo tráfico de armas, drogas, seres humanos, ou coisas do tipo. (ênfase minha)

No entanto, a razão pela qual eu quero mencionar o Sistema D é porque ele me ajuda a ilustrar nitidamente que, em última análise, o que está sendo discutido aqui é simplesmente a sobrevivência humana. Esta é uma discussão que, sem ser hiperbólico, toca em questões de vida ou morte. Para tornar este ponto além de qualquer objeção claro como cristal, Neuwirth, em seu livro The Stealth of Nations, menciona como o Sistema D tem ajudado pessoas a sobreviver à crise financeira:

Um estudo de 2009 feito pelo Deutsche Bank, o grande credor comercial alemão, sugeriu que os países europeus que tinham a maior parte da sua economia de forma não-licenciada e não-regulamentada – em outras palavras, países com o mais robusto Sistema D – as pessoas se saíram melhor na crise econômica de 2008 do que povos que vivem em nações centralmente planejadas e bem regulamentados.

Ele ilustra também a questão da sobrevivência com um exemplo da América Latina:

Estudos de países da América Latina têm mostrado que pessoas desesperadas se moveram para o Sistema D procurando sobreviver durante a mais recente crise financeira. Este sistema espontâneo, governado pelo espírito de improvisação organizada, será fundamental para o desenvolvimento das cidades do século XXI. (ênfase minha).

Talvez um dos exemplos mais impressionantes da ideia de contraeconomia em ação é o do que empresários fizeram a fim de contornar as leis de controle de preços da Alemanha nazista. Isso também me dá a oportunidade de trazer à tona uma questão que parece ser negligenciada; entretanto, ela cumpre um papel importante em minar o estabelecimento da soberania estatal. Em uma passagem verdadeiramente brilhante de seu livro The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia, James C. Scott menciona que a mudança de práticas linguísticas é vital para a evasão e prevenção do estado:

Governantes estatais descobriam que é quase impossível implementar uma controlar pessoas que estão constantemente em movimento, que não têm padrão permanente de organização, nem endereço permanente, cuja a liderança é efêmera, cujos padrões de subsistência são flexíveis ​​e evasivos, que têm poucas alianças permanentes, e que são passíveis de​​, ao longo do tempo,  mudar suas práticas linguísticas e sua identidade étnica. E este é justamente o ponto! A organização econômica, política e cultural de tais povos é, em grande parte, uma adaptação estratégica para evitar a incorporação em estruturas estatais. (toda a ênfase é minha)

Com esse prólogo agora fora do caminho, deixe-me chegar a meu ponto principal: o de que o comportamento de alguns empresários (não posso dizer de todos, porque é bastante fácil demonstrar que alguns empresários queriam fascismo ou mesmo o criaram) serve como exemplo perfeito de agoristas evadindo os controles de preços nazistas introduzidos em 1936.

Em seu livro The Vampire Economy: Doing Business under Fascism, Günter Reimann, assim como James C. Scott, enfatiza a importância da mudança permanente – ou subversão da “padronização” – como um método-chave para fugir da vontade do Estado. Conformidade é de fato a carcereira do mundo. Reimann observa que:

fabricantes podem introduzir mudanças em produtos padronizados que resultem em um artigo final mais complicado, com o único fim de permitir que se alegue que o produto final é um “novo artigo”, que não estará sujeito às antigas restrições de preços. O estado impõe mais padronização da produção, a fim de poupar matérias-primas; os produtores devem fazer exatamente o contrário, a fim de defender seus interesses privados. (ênfase minha).

Para fugir ainda mais do sistema de controle de preços do estado, compradores e vendedores arranjariam “contratos combinados” que eram o equivalente a vender recursos escassos por um preço mais elevado, enquanto se “engana” o Estado para que pense que as ordens de preços prescritas estão sendo seguidas. Quero reproduzir a história completa de Reimann sobre como os compradores e vendedores executavam este truque, porque ela ilustra uma maneira real de se parecer “legítimo”, enquanto na verdade se é o completo oposto:

Um camponês foi preso e levado a julgamento por ter vendido várias vezes seu velho cão em conjunto com um porco. Quando um comprador privado de porcos veio a ele, a venda foi encenado de acordo com as regras oficiais. O comprador perguntaria ao camponês: “Quanto é o porco?” O astuto camponês responderia: “Não posso pedir-lhe mais do que o preço oficial. Mas quanto você pagaria por meu cão, que também quero vender?” Então o camponês e o comprador de porcos já não discutiriam o preço do porco, mas apenas o preço do cão. Eles chegariam a um entendimento sobre o preço do cão, e quando um acordo foi alcançado, o comprador conseguiu o porco também. O preço pago pelo porco era bastante correto, estritamente de acordo com as regras, mas o comprador tinha pago um preço alto pelo cão. Depois disso, o comprador, querendo se livrar do cão inútil, soltou-o, e ele correu de volta para seu antigo mestre, para quem era de fato um tesouro.

No final, o camponês nunca realmente vende seu cão, visto que o comprador efetivamente lhe devolve o cão, ao libertá-lo. O comprador recebe o porco, que é o lado oficial da transação, mas o vendedor fica com o preço oficial para o porco, além do preço da venda fantasma do cão, assim, o vendedor recebe um preço acima do estabelecido pelo estado para vender seu porco.

Naturalmente, o estado tentará reprimir tal prestidigitação, uma palavra chique para qualquer comportamento sorrateiro que o estado não consegue perceber. Como se trata da Alemanha nazista, o estado teve uma resposta bastante previsível. Segundo Reimann, ele usou “compras de controle”, a fim de pegar pessoas por audaciosamente contornarem suas regras de preço. O que exatamente eram as “compras de controle” nazistas? Elas consistiam no seguinte:

  • Agentes da polícia secreta;
  • Os agentes da polícia secreta estariam à paisana e se portariam como compradores inofensivos, mas dispostos a oferecer um preço mais elevado que o oficial;
  • Os agentes da polícia secreta tentariam então induzir os empresários a fazer uma transação ilegal com eles.

Para mim isso soa como uma operação policial de drogas, mas para itens tão prosaicos quanto uma venda de porcos![1]

A fim de evitarem serem pegos, a ideia de mudar suas práticas linguísticas entra em jogo entre os envolvidos no comércio. Reimann assinala explicitamente que ao aplicar agorismo, é preciso aprender a falar um novo idioma:

Para discutir transações comerciais ilegais de uma maneira que pareça legal, empresários em países fascistas aprendem a falar a língua dos experientes adversários subversivos do regime. Muitas vezes eles têm dúvidas a respeito da ”confiabilidade” de um potencial comprador, e, portanto, falam em termos que são inocentes e cujos significados podem ser interpretado de várias manerias. (ênfase minha).

Por fim, penso eu que uma maneira possível de “vender” o agorismo para pessoas que atualmente não são agoristas é mostrar que suas ideias fundamentais têm uma história longa e honrosa. Tentei ilustrar isso usando tanto um exemplo recente quanto um histórico. No exemplo recente, ou seja, na atual crise financeira, o agorismo e o Sistema D ajudaram pessoas desesperadas em vários continentes a ganhar a vida. O agorismo e o Sistema D, portanto, estão ajudando pessoas a sobreviver. A comparação e contraste é gritante: a gananciosa classe dominante causou o problema por meio de suas políticas monetárias de banco central, mas os agoristas forneceram a solução, que está funcionando na prática. O exemplo nazista demonstra que o agorismo é uma ferramenta para minar um regime totalitário. Novamente, o agorismo pode se posicionar ao lado da humanidade contra alguns de seus inimigos mais monstruosos. E da maneira em que nosso comprador de porco e vendedor fizeram: por meio de uma troca negociada em que ambas as partes chegaram a um acordo aceitável. Em outras palavras, a troca voluntária subverte o totalitarismo mais uma vez.

[1] No original há um trocadilho intraduzível para o português, reproduzimos o trecho aqui em consideração ao leitor letrado em inglês:

“To me this sounds like a drug sting operation but for such prosaic items as selling pigs! A pig sting! (That has double entendre written all over it.)” (Nota do tradutor)

// Tradução de Vinicius Freire. Revisão de Ivanildo Terceiro, clique aqui para ler o artigo original no C4SS

Pela comercialização de orgãos!

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Atualmente a venda de órgãos é proibida pelo estado brasileiro prevista na lei nº 9.934 de 1997, o problema é que como toda proibição de ações voluntárias e pacíficas pelo estado a criminalização da venda de órgãos causa mais problemas do que o seu comércio legal, daqui para frente vale lembra que estamos falando da venda voluntária de órgãos e também da contra-economia voluntária de órgãos e não órgãos roubados a força para serem vendidos no Mercado vermelho.

Primeiro deve-se ressaltar a incompetência do estado em armazenar e utilizar adequadamente estes órgãos como já ouve casos em que o plasma sanguíneo foi desperdiçado, paralelo a esta imagem de desperdício vemos a escassez dos órgãos  para transplante nos serviços de saúde o que joga sobre os médicos o dever de escolher muitas vezes que recebera determinado órgão ou não sem nenhum critério além de sua própria opinião pessoal gerando também uma enorme fila de espera de doações o que inevitavelmente causa a morte de vários pacientes.

Mas é claro que falando de legalização ou contra-economia de orgãos a imagem que vem na cabeça da maiorias das pessoas é a de de saqueadores de túmulos, monstros Frankenstein e quadrilhas de “ladrões de órgãos” roubando corações, fígados e rins das pessoas, mas para avançar é necessário deixar este preconceito para trás e partir de um ponto de vista racional sobre a comercialização de órgãos, primeiramente esta visão não condiz com a realidade não será a liberação que ira gerar quadrilhas ou traficantes de órgãos simplesmente porque eles já existem e foram gerados pela proibição estatal do livre comercio de seus órgãos, existe uma demanda por órgãos principalmente quando existe uma fila de espera tão grande, quando o estado proíbe, o tráfico prospera, com a proibição e o tráfico a demanda é passada para aqueles dispostos a usar a violência para obter a matéria-prima e contra sua concorrência.

Agorismo e a venda de orgãos;

Agora imaginamos uma contra-economia de órgãos cooperativas ou empresas coletivas/privadas de médicos que podem fazer o transplantes sendo pagos por bitcoins (Ou moedas alternativas como cryptocoins, ouro, prata) e comprando equipamentos de qualidade pelo mercado negro por preços mais baratos isento de impostos com uma constante competição com demais clínicas clandestinas de vende e troca de órgãos, reduzindo assim os custos da operação tornando-a mais acessíveis para aqueles que desejam vender ou comprar órgãos servindo como uma instituição intermediária a esta troca voluntária pelos portais descentralizados do Mercado Negro evitando assim mais mortes de pessoas inocentes por conta da burocracia e intervencionismo estatal.

A Defesa Moral do comercio de orgãos:

John Bush sobre Agorismo

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Palestra feita pelo ativista libertário John Bush em um encontro do movimento END THE FED em Houston, tradução Vinícius Morgado.

” Olá meu nome é John Bush, eu sou de Austin Texas e estou envolvido com o movimento libertário a quase uma década agora, eu realmente aprendi muito durante estes 10 anos e evoluiu em vários aspectos.

Hoje eu gostaria de falar com vocês sobre como podemos criar um sociedade completamente livre. Eu vou falar de diversas dicotomias hoje e uma delas é o monopólio versus a competição, uma das raizes de todos os males e um dos maiores inibidores de nossas liberdades individuais é o “poder monopolístico”.

Um dos monopólios que eu mais odeio e uma grande exemplo destes é o monopólio que os departamentos de defesa desfrutam do fornecimento de defesa, dêem uma olhada no departamento de defesa de Houston, eles enfiam a porrada nos cidadãos de Houston, é absolutamente triste eu vejo isso no youtube o tempo inteiro.

Eu garanto que se o departamento de polícia de Houston for aberto a competição, e os residentes em Houston não fossem obrigado a pagar pelo departamento de polícia, eles iriam a falência.

Existiriam serviços competindo ou as pessoas poderiam sair as ruas com suas armas, mesmo isso sendo ilegal no estado do Texas , aliás como isso soa para o suposto estado livre e independente do Texas? Ou as pessoas iriam usar o dinheiro que foi roubado delas para financiar o corrupto departamento de justiça de Houston e iriam usar este dinheiro para pagar uma agência privada da defesa.

Este é um exemplo de monopólio estatal, apesar de os monopólios não serem somente dele, que fere nossas liberdades individuais e nosso direito de viver como pessoas livres.

A questão é como lidamos com esses monopólios que eu considero como inimigos da liberdade. Monopólios tiram sua liberdade de escolha. Na ausência de monopólios as pessoas pensariam; “Ãh eu não gosto do departamento de defesa de Houston eles baterão no meu primo sem motivo semana passada, não acho que vou continuar dando dinheiro a eles vou procurar uma segunda alternativa”.

A melhor forma de eliminar monopólio é a traves da competição. Isso é essencialmente o Agorimo, Agorismo é uma tática libertária criada por Samuel Konkin III (sek3) na década de 80, essencialmente o que o Agorismo propõe não é competir dentro do estado mas competir com o estado. Ele reivindica a criação de instituições e mercados paralelos associações, contratos e relações mutuamente benéficas , não baseadas na coerção, na força, no monopólio, ou sob a mira de uma arma.

Outra coisa e talvez a mais perigosa de todas é criar instituições competitivas de defesa e comercio, isso pode vir de diversas formas tanto com Mercados Negros e contrabando, negociações por meios de bitcoins, vigília de vizinhas até as milícias armadas.

Não precisamos do Departamento de polícia, nós só precisamos estar armados, precisamos ter comunidades fortes que estão dispostas a cuidar umas das outras.

Nós também não precisamos de um governo para prover o fornecimento de defesa porque nunca foi pelo fornecimento de justiça e sim para dar segurança e proteger o poder privilegiado de um determinado grupo.

Se você decidir que não vai mais pagar impostos um agente armado vai aparecer na sua casa e te levar embora, se você estiver fumando algum mato sendo uma pessoa pacífica um agente armado pode aparecer e te colocar em uma jaula. Isto é muito assustador e amedrontador.

E é por isso que a comunidade é muito importante se quisermos buscar a liberdade em nossa tempo de vida.

Para concluir e superar o medo quero lhe propor 3 pontos; 1) Existe força no númeor 2) Existe força na unidade 3) E ha força na verdade, e neste momento nós temos todas as três ao nosso lado então tudo que temos que fazer é nos levantar e eles nunca poderão nos colocar para baixo.”

Usando o Mercado Negro de Aplicativos do Android

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Por: Vinícius Morgado

Como muitos sabem as primeiras versões do Mercado Negro para Android foi derruba a algum tempo atrás mas desta vez o Mercado Negro voltou e agora com servidores para atender o publico brasileiro e com versão em português.

Primeiro algumas informações; O novo Black Market tem em média 85% dos aplicativos pagos da Google Play disponibilizados de graça (Sendo atualizado semanalmente) e os aplicativos que necessitam de ativação por uma licença já é possível baixa-los de graça pelo Black Market e comprar a licença em bitcoins pela metade do preço pelo próprio aplicativo, com servidores estabelecidos na rede tor a versão final do aplicativo pode ser instalada em qualquer versão ou aparelho com android, em alguns casos é necessário ter também o vidália para android instalado para conexão com a rede.

O Aplicativo também conta com um local para compartilhamento coletivo de arquivos sendo possível usuários compartilharem de graças licenças, apks que foram obtidos ilegalmente ou desenvolvido por eles com outros usuários do serviço.

Desenvolvido por interessado em programação ativista e opositores da P.I o novo Mercado Negro agora usa plataforma P2P descentralizada e criptografia fatores que não estavam presentes no antigo Mercado.

Como usar?

1º Devemos fazer o download do aplicativo (Clique aqui)

2º Após o download deve-se copiar o aplicativo para dentro de sue celular, seja na memória interna ou no cartão de memória.

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3º Execute o Aplicativo e instale-o

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4º Após a instalação ele exigira atualização, apesar de ser instalado em qualquer versão ou apararelho ele exige o update para instalação de arquivos necessários e possíveis atualizações para seu aparelho e também a instalação do pacote de linguagens.

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Agora o aplicativo estará pronto para uso e coma interface de acordo coma linguagem do seu Google Play, caso apareça a mensagem erro na conexão instale o Vidália pelo google play abra-o selecione o botão “iniciar” feche-o e execute o Black Market.

Imposto é roubo! — e o que fazer quanto a isso – Samuel Edward Konkin III

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Este texto traduz um dos antigos panfletos do Movement of the Libertarian Left americano, escritos por Samuel Edward Konkin III. Ele foi levemente atualizado por Wally Conger, e esta versão em português foi feita para o site agorism.info, enquanto que esta reprodução foi compartilhada via LibertyZine e revisada por Vinícius Morgado.
O Imposto é um roubo!

Certamente parece que é quando chegamos perto do dia 15 de abril, certo?[1] Mas é claro que esse slogan é só um exagero. Afinal, nós temos que pagar nossos impostos! É um tipo de dever, não? Veja, suponha que ninguém pagasse seus impostos, de onde sairiam as ruas, as redes de esgoto, a previdência social e os correios? E a polícia, os fuzileiros navais, os mísseis e as missões espaciais? Sem qualquer dúvida, a taxação é necessária, então, mesmo que seja roubo…

Pense nisso por um segundo: “mesmo que seja roubo…” – O roubo é universalmente considerado um ato imoral. Assumindo-se que todos os serviços mencionados anteriormente são morais e desejáveis (e isso é altamente discutível em relação a todos eles), como é possível que objetivos morais só possam ser alcançados através de meios imorais?

“Bom, claro, nada de certo pode ser feito de maneira errada; há um jeito certo e um jeito errado de fazer tudo”, você pode dizer. Pois então deve haver uma maneira correta de financiar aqueles serviços necessários (e morais). Isto é, a taxação não é necessária, não se for imoral.

“Bom, claro, nada de certo pode ser feito de maneira errada; há um jeito certo e um jeito errado de fazer tudo”, você pode dizer. Pois então deve haver uma maneira correta de financiar aqueles serviços necessários (e morais). Isto é, a taxação não é necessária, não se for imoral.

Ok, mas mesmo que nós todos detestemos pagar impostos, isso não os torna errados. Impostos são certos ou errados, não importa como nos sentimos a respeito. É roubo ou não é, não importa quais sejam nossos “sentimentos” sobre o assunto no momento. Então, considere isto.

Um homem envia a você uma carta dizendo que seus vizinhos estão contribuindo para seu fundo. Este “fundo” executa muitos atos bons, diz ele, e talvez ele enumere alguns. Por favor, envie sua contribuição, e pague-a até a metade do mês. Para assisti-lo na decisão de fazer sua contribuição, que deverá ser baseada em sua renda (ou, talvez, em quanto você compra, ou em quanto vale sua casa, ou em alguma outra coisa, ou alguma combinação), uma prática tabela de cálculo é fornecida.

Nada errado aqui. Lixo pelo correio, talvez; um pouco irritante. Talvez você até concorde com a maioria dos serviços que o Fundo financia, e ninguém discordaria da maioria deles. Mas digamos que você escolha ignorar a carta ou enviar menos que a cota que lhe foi atribuída. O homem lhe envia uma carta de novamente, lamentando sua omissão. Ele menciona que tem os meios para fazê-lo dar sua “justa quantia” – afinal, todos os outros pagaram suas respectivas partes, a não ser alguns poucos canalhas.

Parece que temos uma ameaça aqui, e não parece que o fundo do homem é algo muito benevolente. Talvez você envie de volta uma carta dizendo para ele parar de perturbá-lo ou você tomará alguma providência legal.

Agora ele passa a enviar cartas ainda mais ameaçadoras, e finalmente alguns “amigos” dele vão até a sua casa para imprimir em você o significado de sua não-cooperação. Neste momento você decide que é hora de pedir ajuda. Você procura por uma agência para lhe dar proteção – um guarda-costas, talvez. Mas há somente uma na cidade, e aqueles valentões lá fora trabalham para ela. Enquanto você tenta impedir que eles levem sua mobília (ou sua conta bancária, ou qualquer outra coisa), eles apontam suas armas contra você. Você diz: “Vocês estão agindo como ladrões!”

“Não”, eles respondem, “você é o trapaceiro. Você está retendo sua parte no Fundo.”

“Mas eu nunca concordei com o seu ‘fundo’. Vamos até um juiz e deixemos que ele decida se eu devo algo a vocês.”

“Certo”, eles dizem (e seria aquilo um sorriso nos lábios deles?). “Venha até o escritório do Fundo.”

“Bom”, você razoavelmente responde, “não o seu juiz, nem o meu, para sermos justos. Tentemos encontrar um juiz imparcial.”

“Mas”, riem eles, “o Fundo não permite quaisquer outros juízes. Não se preocupe, contudo; se você pagou mais que a sua cota, você conseguirá o resto de volta.”

“Mas eu não quero pagar nada”, você se lamenta.

Eles empunham suas armas.

“Isso não é nada mais que um assalto. Vocês são ladrões!”

E eles são.

Há muitos argumentos que são utilizados neste momento. Alguns exemplos:

1. Seus amigos se reuniram e decidiram, através do voto, roubar você, e o chamaram para votar também. Você teve sua chance, certo?

2. O Fundo é limitado, e só rouba uma parte da sua propriedade. Ele paga seus valentões para lutar contra o Fundo do Mal do outro lado do rio, que tomaria uma parte ainda maior de sua propriedade. Evidentemente você não poderia contratar seus próprios guarda-costas ao preço que você e eles concordassem. Por que não? Bom, não se pode confiar neles — mas no Fundo, sim!

3. Viúvas e órfãos morreriam de fome caso o Fundo não os alimentasse.

E muitos mais.

O Que Fazer Quanto a Isso

Primeiro, retenha o que você ganhar. O Fundo não pode pagar seus valentões se não puder coletar o seu dinheiro — e lembre-se, é o seu dinheiro, não deles.

Segundo, lembre-se de que há 40.000.000 de indivíduos que resistem a impostos de forma bem sucedida somente nos Estados Unidos, e cerca de 100.000.000 evasores e sonegadores de impostos; sim, quase todo mundo. E a percentagem é ainda maior em outros países.

Terceiro, você pode utilizar uma nova tecnologia de retenção do que é seu por direito — e que não serve somente para manter livre o seu dinheiro, mas serve para manter você livre de regulações, da censura, da inflação, da discriminação e dos controles — chamada Contra-Economia. Cursos são ministrados e livros são publicados a respeito dela. Nós o faremos conhecê-la.

Quarto, você pode aprender as técnicas simples de sonegação de impostos, de sair das listas de impostos em que você se encontra e de se manter fora daquelas nas quais ainda não foi registrado. Uma vez que o “Fundo” real não saiba que você existe, você está imune a tudo, a não ser a uma traição por um íntimo.

Quinto, mas não último, você pode se juntar a outros que aprenderam métodos consistentes de combate ao “Fundo” e a pretensos “Fundos”. Esquerdistas anti-impostos, pró-livre-mercado e anti-estatistas parecem intrigantes a você? Talvez isso seja o que você sempre pensou que seria caso fosse possível?

Bom, é intrigante, nós somos, e você pode agora entrar em contato conosco. Bem vindo, aliado!

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