Agorismo

Contra a propriedade intelectual!

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Por: Kevin Carson

Trecho extraído do “O Punho e ferro por trás da mão invisível

O privilégio das patentes tem sido usado em larga escala para promover a concentração do capital, erguer barreiras de entrada no mercado e manter o monopólio sobre tecnologias avançadas nas mãos de corporações ocidentais. É até difícil imaginar quão mais descentralizada a economia seria sem ele. O libertário de direita Murray Rothbard considerava as patentes uma violação fundamental dos princípios de livre mercado:

O homem que não comprou uma máquina e que é capaz de fazer a mesma invenção de maneira independente, num livre mercado, terá o direito de usar e vender sua invenção. As patentes evitam que alguém use sua própria invenção, muito embora todas as propriedades envolvidas em sua criação sejam da pessoa e ela não tenha roubado sua invenção, explícita ou implicitamente, do primeiro inventor. As patentes, portanto, são concessões de privilégios monopolistas exclusivos do estado e são invasões dos direitos de propriedade do mercado.

As patentes fazem uma diferença astronômica no preço final. Até o começo dos anos 1970, por exemplo, a Itália não reconhecia patentes de medicamentos. Como resultado, a Roche cobrava um preço do sistema de saúde britânico mais de 40 vezes maior que o cobrado por concorrentes na Itália por componentes patenteados das drogas Librium e Valium.

As patentes suprimem a inovação na mesma medida em que a estimulam. Chakravarthi Raghavan observou que os pesquisadores que de fato trabalham nas invenções devem abrir mão de seus direitos de patente como condição de trabalho, enquanto patentes e programas de segurança industrial evitam o compartilhamento da informação e
suprimem a concorrência no melhoramento de invenções patenteadas.

Rothbard, da mesma forma, argumentava que as patentes eliminam “o incentivo concorrencial para maiores pesquisas”, porque inovações incrementais que se baseiam nas patentes de outras pessoas é proibida e porque o detentor delas pode “se descansar sobre os louros de seu sucesso por todo o período da patente”, sem temer a melhoria de sua invenção. E
elas impedem o progresso técnico, porque “invenções mecânicas são descobertas das leis da natureza e não criações individuais, portanto invenções similares acontecem a todo momento. A simultaneidade de invenções é um fato histórico comum”.

O regime de propriedade intelectual estabelecido pela Rodada do Uruguai do GATT (sigla em inglês para Acordo Geral de Tarifas e Comércio) vai muito além das tradicionais legislações de patentes na supressão das inovações. Um dos benefícios das leis tradicionais de patentes, ao menos, era que elas requeriam que as patentes fossem publicadas. Por pressão dos Estados Unidos, contudo, “segredos industriais” foram incluídos no acordo. Assim, os governos terão que prestar apoio na supressão de informações que nem mesmo estão formalmente protegidas pelas patentes.

E as patentes não são necessárias como incentivos para inovar. De acordo com Rothbard, as invenções sempre dão vantagens competitivas ao primeiro desenvolvedor de uma ideia. Esse ponto de vista tem suporte no depoimento à Comissão Federal do Comércio dos EUA de F. M. Scherer.

Scherer citava uma pesquisa que abrangia 91 empresas segundo a qual apenas sete delas “davam alto valor à proteção de suas patentes como fator em seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento”. A maior parte delas considerava as patentes como “a menor de suas considerações”. Sua maior motivação em decisões de P&D era “a necessidade de permanecer competitivas, o desejo de produzir de maneira mais eficiente e o desejo de expandir e diversificar suas
vendas”. Em outro estudo, Scherer não encontrou qualquer efeito negativo sobre os gastos em P&D resultantes do licenciamento compulsório de patentes. Uma pesquisa com firmas americanas observou que 86% de todas as invenções teriam sido desenvolvidas sem patentes. No caso de automóveis, equipamentos de escritório, produtos de borracha e têxteis, a taxa era de 100%.

A única exceção era no caso dos medicamentos. Sessenta por cento deles teoricamente não teriam sido desenvolvidos. Suspeito de certa dissimulação por parte dos respondentes, porém. Em primeiro lugar, as empresas farmacêuticas recebem uma porção desproporcional de seu financiamento de P&D do governo e muitos de seus produtos mais lucrativos foram desenvolvidos inteiramente às custas do estado. E o próprio Scherer forneceu evidência em contrário. As vantagens de reputação por ser o primeiro a introduzir uma droga no mercado são consideráveis. Por exemplo, no final
dos anos 1970, a estrutura da indústria e os padrões de precificação eram muito similares entre drogas com patentes e aquelas sem patentes. A introdução no mercado de uma droga não-patenteada permitia que uma dada empresa mantivesse uma fatia de mercado de 30% e que cobrasse preços mais altos.

A injustiça dos monopólios de patentes é exacerbada pelo financiamento estatal à pesquisa e inovação, que beneficia a indústria privada com lucros monopolísticos advindos de tecnologias que não gastaram um centavo para desenvolver. Em 1999, a extensão dos créditos corporativos para pesquisas e experimentos e as extensões de outras isenções de impostos corporativos eram consideradas as pautas mais urgentes das lideranças no Congresso dos EUA. De acordo com relatório da organização Citizens for Tax Justice (em português, “Cidadãos pela Justiça Tributária”), o deputado Dennis
Hastert, quando perguntado qualquer um dos pontos do projeto de lei era essencial, disse: “Acredito que as isenções preferenciais sejam algo em que teremos que trabalhar”. O líder do Comitê Orçamentário do Congresso Bill Archer acrescentou:

“[Até] o final do ano (…) faremos as isenções fiscais em um projeto de lei que não inclua nenhum outro ponto”. Uma extensão de cinco anos sobre a isenção para pesquisas e experimentos (retroativa a 1º de julho de 1999) tinha projeção de custos de US$ 13,1 bi (esse crédito torna os impostos efetivos sobre P&D efetivamente nulos). A Lei Governamental de Política de Patentes de 1980 (em inglês, Government Patent Policy Act of 1980), com suas emendas de 1984 e 1986, permitiu que a indústria privada mantivesse as patentes sobre produtos desenvolvidos com dinheiro estatal — e então
cobrasse dez, vinte ou quarenta vezes mais que o custo de produção. Por exemplo, o AZT foi desenvolvido com dinheiro estatal e estava no domínio público desde 1964. Sua patente foi concedida à Burroughs Wellcome Corp.

Como se não fosse o bastante, as companhias farmacêuticas em 1999 fizeram lobby sobre o Congresso para estender determinadas patentes em dois anos através de uma lei especial privada.

As patentes têm sido usadas ao longo do século 20 para “driblar as leis antitruste”, de acordo com David Noble. Elas são “compradas em grandes números para suprimir a concorrência”, o que também resultou “na supressão das próprias invenções”.

As patentes desempenharam um papel fundamental na formação das indústrias de eletrodomésticos, de comunicações e de química. A GE e a Westinghouse se expandiram a ponto de dominar a manufatura elétrica na virada do século 19 para o 20 basicamente através do controle de patentes. Em 1906, reduziram seus litígios com o compartilhamento de suas patentes. A AT&T também se expandiu “essencialmente através de estratégias de monopólio sobre patentes”. A indústria americana de químicos era pouco importante até 1917, quando o Advogado Geral Mitchell Palmer confiscou as patentes alemãs e as distribuiu entre grandes empresas de químicos americanas. A DuPont conseguiu licenças sobre 300 das 735 patentes tomadas.

As patentes estão também sendo utilizadas em escala global para conceder às corporações transnacionais um monopólio permanente sobre as tecnologias produtivas. As cláusulas mais totalitárias da Rodada do Uruguai provavelmente dizem respeito à “propriedade intelectual”. O GATT estendeu tanto o escopo quanto a duração das patentes muito além do que se pretendia originalmente por suas leis.

Na Inglaterra, aspatentes tinham originalmente duração de 14 anos — tempo necessário para treinar dois aprendizes sucessivamente (e, por analogia, o tempo necessário para introduzir o produto no mercado e lucrar a partir de sua originalidade). Por esse parâmetro, dados os períodos mais curtos de treinamento requeridos atualmente e as vidas úteis mais curtas de várias tecnologias, o período de monopólio deveria ser mais curto. No entanto, os Estados Unidos buscam expandi-lo a cinquenta anos.

De acordo com Martin Khor Kok Peng, os EUA são os participantes mais absolutistas da Rodada do Uruguai em relação à “propriedade intelectual”, ao contrário da Comunidade Europeia, e pretendiam estender suas provisões a processos biológicos, para proteção de animais e plantas.

As provisões para biotecnologia são efetivamente uma maneira de aumentar as barreiras ao comércio, forçando os consumidores a subsidiar as corporações transnacionais do agronegócio. Os EUA pretendem aplicar patentes a organismos geneticamente modificados, o que na prática pirateia o trabalho de várias gerações de reprodutores do
Terceiro Mundo, isolando os genes benéficos de variedades tradicionais e incorporandoas em novos organismos geneticamente modificados — e talvez forçando a aplicação dos direitos de patente sobre as variedades tradicionais, que foram as fontes de material genético. Por exemplo, a Monsanto já tentou utilizar a presença do DNA das variedades
desenvolvidas por elas em uma lavoura como prova prima facie de pirataria — quando é muito mais provável que sua variedade tenha polinizado e contaminado a lavoura do fazendeiro em questão contra a sua vontade. A agência Pinkerton desempenha um grande papel na investigação desses casos — os mesmos sujeitos que estavam ocupados dispersando greves e jogando seus organizadores escada abaixo no século passado. Até mesmo criminosos desse naipe têm que diversificar seus negócios para sobreviver na economia global. O mundo desenvolvido tem feito grandes pressões para proteger as indústrias que dependem ou produzem “tecnologias genéricas” e para restringir a difusão de tecnologias de “uso dual”. O acordo EUA-Japão sobre semicondutores, por exemplo, é um “acordo de comércio controlado, de cartel”.

São assim os acordos de “livre comércio”. A legislação de patentes tradicionalmente exigia que o detentor trabalhasse na invenção em determinado país para receber proteção. A legislação do Reino Unido permitia o licenciamento compulsório após três anos se uma invenção não estava sendo trabalhada parcial ou totalmente e se sua demanda fosse atendida “substancialmente” pela importação; ou quando o mercado exportador não estivesse sendo atendido por conta da
recusa do detentor da patente em conceder licenças em termos razoáveis.

A motivação central para o estabelecimento do regime de propriedade intelectual do GATT, entretanto, é proteger permanentemente o monopólio coletivo de patentes para as corporações transnacionais, impedindo o surgimento de concorrentes independentes no Terceiro Mundo. Como afirma Martin Khor Kok Peng, esse sistema “efetivamente impediria a difusão de tecnologias para o Terceiro Mundo e aumentaria tremendamente os royalties monopolísticos das corporações transnacionais, freando ao mesmo tempo o desenvolvimento próprio de tecnologias por esses países”. Apenas um por cento das patentes no mundo são detidas pelo Terceiro Mundo. Das patentes concedidas nos anos 1970 por países do Terceiro Mundo, 84% foram para estrangeiros. Delas, menos de 5% foram de fato usadas na produção. Como vimos, o propósito das patentes não é necessariamente serem utilizadas, mas evitar que outros as utilizem.

Raghavan resumiu perfeitamente os efeitos das patentes sobre o Terceiro Mundo: Dados os gigantescos gastos em P&D e investimentos, além do curto ciclo de vida de alguns desses produtos, algumas nações industriais tentam impedir a emergência da competição pelo controle (…) dos fluxos de tecnologia para outros países. A Rodada do Uruguai está sendo usada para criar monopólios de exportação para os produtos dos países industriais e para bloquear ou refrear o crescimento de concorrentes, particularmente em países que estão se industrializando no Terceiro Mundo. Ao mesmo tempo, as tecnologias de indústrias antigas do norte estão sendo exportadas para o sul de forma que garantam lucros a rentistas.

Os propagandistas das corporações repetidamente denunciam os antiglobalistas como se fossem inimigos do Terceiro Mundo, que buscam utilizar as barreiras comerciais para manter sua riqueza ocidental às custas dos países mais pobres. As medidas mencionadas — barreiras comerciais — que buscam suprimir permanentemente as tecnologias do Terceiro Mundo e manter o sul como uma enorme fonte de trabalhadores baratos mostram como são mentirosas essas preocupações “humanitárias”.

Não se trata de um caso de opiniões divergentes ou de entendimentos sinceramente enganados sobre os fatos. Ignorando falsas sutilezas, o que vemos aqui é uma maquinação puramente maligna — a bota que Orwell mencionava que “pisaria num rosto humano para sempre”. Se qualquer um dos arquitetos desta política realmente acredita que ela exista em prol do bem estar geral, isso só mostra a impressionante capacidade que a ideologia tem de justificar a opressão para o próprio opressor e permitir que ele durma tranquilo durante a noite.

Agorismo e Nazismo: um estudo sobre opostos

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BannerNo episódio Gorilla Experiment de The Big Bang Theory, o Dr. Sheldon Cooper tenta ensinar um pouco de física rudimentar a Penny. Fiel à sua natureza pedante, Sheldon começa seu esboço de história da física mencionando a ágora, de onde tiramos o termo moderno agorismo. Depois do livro An Agorist Primer, de Samuel Edward Konkin III (SEK III), a palavra “ágora” é usada ainda até hoje para descrever  ”mercado aberto”.

Para o agorista moderno, a ágora ou o livre mercado não corrompido constitui o objetivo a ser alcançado; o meio de transição do estatismo atual para a ágora é chamado de “contraeconomia”. Segundo SEK III em seu livro An Agorist Primer, “toda ação humana não-coercitiva cometida em desafio ao estado constitui contraeconomia”. Ele cita alguns exemplos específicos do que se quer dizer por ação não-coercitiva em desafio ao estado:

– Sonegação;
– Evasão de inflação;
– Contrabando;
– Livre produção;
– Produção desregulamentada em pequena escala
– Distribuição ilegal;
– Livre fluxo tanto de força de trabalho (imigração ilegal), quanto de capital através de fronteiras;
– Informação e sigilo informacional;
– E muito mais.

A ideia geral da contra-economia é muito semelhante ao que Robert Neuwirth chama na entrevista Why Black Market Entrepreneurs Matter to the World Economy (Por que empreendedores no mercado negro são importantes para a economia mundial) de Sistema D . Neuwirth diz que:

há uma palavra francesa para alguém que é auto-suficiente ou engenhoso: débrouillard… a economia de rua… l’économie de la débrouillardise – a economia da auto-confiança, ou a economia DIY se quiser. Eu decidi usar este termo – encurtando-o para Sistema D – porque é uma forma menos pejorativa de se referir ao que tem sido chamado tradicionalmente de economia informal ou mercado negro ou até mesmo economia subterrânea. Estou basicamente usando o termo em referência a toda atividade econômica não captada pelo radar do governo. Ou seja, não registrada, não regulamentada, não tributada, mas não completamente criminosa – não incluo tráfico de armas, drogas, seres humanos, ou coisas do tipo. (ênfase minha)

No entanto, a razão pela qual eu quero mencionar o Sistema D é porque ele me ajuda a ilustrar nitidamente que, em última análise, o que está sendo discutido aqui é simplesmente a sobrevivência humana. Esta é uma discussão que, sem ser hiperbólico, toca em questões de vida ou morte. Para tornar este ponto além de qualquer objeção claro como cristal, Neuwirth, em seu livro The Stealth of Nations, menciona como o Sistema D tem ajudado pessoas a sobreviver à crise financeira:

Um estudo de 2009 feito pelo Deutsche Bank, o grande credor comercial alemão, sugeriu que os países europeus que tinham a maior parte da sua economia de forma não-licenciada e não-regulamentada – em outras palavras, países com o mais robusto Sistema D – as pessoas se saíram melhor na crise econômica de 2008 do que povos que vivem em nações centralmente planejadas e bem regulamentados.

Ele ilustra também a questão da sobrevivência com um exemplo da América Latina:

Estudos de países da América Latina têm mostrado que pessoas desesperadas se moveram para o Sistema D procurando sobreviver durante a mais recente crise financeira. Este sistema espontâneo, governado pelo espírito de improvisação organizada, será fundamental para o desenvolvimento das cidades do século XXI. (ênfase minha).

Talvez um dos exemplos mais impressionantes da ideia de contraeconomia em ação é o do que empresários fizeram a fim de contornar as leis de controle de preços da Alemanha nazista. Isso também me dá a oportunidade de trazer à tona uma questão que parece ser negligenciada; entretanto, ela cumpre um papel importante em minar o estabelecimento da soberania estatal. Em uma passagem verdadeiramente brilhante de seu livro The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia, James C. Scott menciona que a mudança de práticas linguísticas é vital para a evasão e prevenção do estado:

Governantes estatais descobriam que é quase impossível implementar uma controlar pessoas que estão constantemente em movimento, que não têm padrão permanente de organização, nem endereço permanente, cuja a liderança é efêmera, cujos padrões de subsistência são flexíveis ​​e evasivos, que têm poucas alianças permanentes, e que são passíveis de​​, ao longo do tempo,  mudar suas práticas linguísticas e sua identidade étnica. E este é justamente o ponto! A organização econômica, política e cultural de tais povos é, em grande parte, uma adaptação estratégica para evitar a incorporação em estruturas estatais. (toda a ênfase é minha)

Com esse prólogo agora fora do caminho, deixe-me chegar a meu ponto principal: o de que o comportamento de alguns empresários (não posso dizer de todos, porque é bastante fácil demonstrar que alguns empresários queriam fascismo ou mesmo o criaram) serve como exemplo perfeito de agoristas evadindo os controles de preços nazistas introduzidos em 1936.

Em seu livro The Vampire Economy: Doing Business under Fascism, Günter Reimann, assim como James C. Scott, enfatiza a importância da mudança permanente – ou subversão da “padronização” – como um método-chave para fugir da vontade do Estado. Conformidade é de fato a carcereira do mundo. Reimann observa que:

fabricantes podem introduzir mudanças em produtos padronizados que resultem em um artigo final mais complicado, com o único fim de permitir que se alegue que o produto final é um “novo artigo”, que não estará sujeito às antigas restrições de preços. O estado impõe mais padronização da produção, a fim de poupar matérias-primas; os produtores devem fazer exatamente o contrário, a fim de defender seus interesses privados. (ênfase minha).

Para fugir ainda mais do sistema de controle de preços do estado, compradores e vendedores arranjariam “contratos combinados” que eram o equivalente a vender recursos escassos por um preço mais elevado, enquanto se “engana” o Estado para que pense que as ordens de preços prescritas estão sendo seguidas. Quero reproduzir a história completa de Reimann sobre como os compradores e vendedores executavam este truque, porque ela ilustra uma maneira real de se parecer “legítimo”, enquanto na verdade se é o completo oposto:

Um camponês foi preso e levado a julgamento por ter vendido várias vezes seu velho cão em conjunto com um porco. Quando um comprador privado de porcos veio a ele, a venda foi encenado de acordo com as regras oficiais. O comprador perguntaria ao camponês: “Quanto é o porco?” O astuto camponês responderia: “Não posso pedir-lhe mais do que o preço oficial. Mas quanto você pagaria por meu cão, que também quero vender?” Então o camponês e o comprador de porcos já não discutiriam o preço do porco, mas apenas o preço do cão. Eles chegariam a um entendimento sobre o preço do cão, e quando um acordo foi alcançado, o comprador conseguiu o porco também. O preço pago pelo porco era bastante correto, estritamente de acordo com as regras, mas o comprador tinha pago um preço alto pelo cão. Depois disso, o comprador, querendo se livrar do cão inútil, soltou-o, e ele correu de volta para seu antigo mestre, para quem era de fato um tesouro.

No final, o camponês nunca realmente vende seu cão, visto que o comprador efetivamente lhe devolve o cão, ao libertá-lo. O comprador recebe o porco, que é o lado oficial da transação, mas o vendedor fica com o preço oficial para o porco, além do preço da venda fantasma do cão, assim, o vendedor recebe um preço acima do estabelecido pelo estado para vender seu porco.

Naturalmente, o estado tentará reprimir tal prestidigitação, uma palavra chique para qualquer comportamento sorrateiro que o estado não consegue perceber. Como se trata da Alemanha nazista, o estado teve uma resposta bastante previsível. Segundo Reimann, ele usou “compras de controle”, a fim de pegar pessoas por audaciosamente contornarem suas regras de preço. O que exatamente eram as “compras de controle” nazistas? Elas consistiam no seguinte:

  • Agentes da polícia secreta;
  • Os agentes da polícia secreta estariam à paisana e se portariam como compradores inofensivos, mas dispostos a oferecer um preço mais elevado que o oficial;
  • Os agentes da polícia secreta tentariam então induzir os empresários a fazer uma transação ilegal com eles.

Para mim isso soa como uma operação policial de drogas, mas para itens tão prosaicos quanto uma venda de porcos![1]

A fim de evitarem serem pegos, a ideia de mudar suas práticas linguísticas entra em jogo entre os envolvidos no comércio. Reimann assinala explicitamente que ao aplicar agorismo, é preciso aprender a falar um novo idioma:

Para discutir transações comerciais ilegais de uma maneira que pareça legal, empresários em países fascistas aprendem a falar a língua dos experientes adversários subversivos do regime. Muitas vezes eles têm dúvidas a respeito da ”confiabilidade” de um potencial comprador, e, portanto, falam em termos que são inocentes e cujos significados podem ser interpretado de várias manerias. (ênfase minha).

Por fim, penso eu que uma maneira possível de “vender” o agorismo para pessoas que atualmente não são agoristas é mostrar que suas ideias fundamentais têm uma história longa e honrosa. Tentei ilustrar isso usando tanto um exemplo recente quanto um histórico. No exemplo recente, ou seja, na atual crise financeira, o agorismo e o Sistema D ajudaram pessoas desesperadas em vários continentes a ganhar a vida. O agorismo e o Sistema D, portanto, estão ajudando pessoas a sobreviver. A comparação e contraste é gritante: a gananciosa classe dominante causou o problema por meio de suas políticas monetárias de banco central, mas os agoristas forneceram a solução, que está funcionando na prática. O exemplo nazista demonstra que o agorismo é uma ferramenta para minar um regime totalitário. Novamente, o agorismo pode se posicionar ao lado da humanidade contra alguns de seus inimigos mais monstruosos. E da maneira em que nosso comprador de porco e vendedor fizeram: por meio de uma troca negociada em que ambas as partes chegaram a um acordo aceitável. Em outras palavras, a troca voluntária subverte o totalitarismo mais uma vez.

[1] No original há um trocadilho intraduzível para o português, reproduzimos o trecho aqui em consideração ao leitor letrado em inglês:

“To me this sounds like a drug sting operation but for such prosaic items as selling pigs! A pig sting! (That has double entendre written all over it.)” (Nota do tradutor)

// Tradução de Vinicius Freire. Revisão de Ivanildo Terceiro, clique aqui para ler o artigo original no C4SS

Anarcocomunismo, socialismo libertário e libertarianismo de esquerda: conceitos e diferenças

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AnarcoSocialismoNão é própria deste momento histórico a existência de confusões causadas por múltiplas interpretações de uma mesma palavra. Por este motivo, é necessário que o cientista, o pesquisador e o teórico se detenham por um instante sobre a tarefa de apresentar uma conceituação dos termos utilizados. Esta tarefa não corresponde ao ato de tomar para si as palavras, mas de apresentar um uso, isto é, uma interpretação para elas.

No campo do pensamento político há diversos conceitos. Palavras como capitalismo, socialismo, anarquia, mercado, propriedade, poder, indivíduo e sociedade são alguns exemplos de termos que necessitam de aprofundamento conceitual. Caso isto não ocorra, torna-se difícil compreender qual é o sentido pretendido. Devido a problemas de tradução da palavra inglesa libertarian é preciso diferenciar o pensamento libertário norte-americano do antigo uso da palavra libertário para designar os anarquistas clássicos.

Dentro da história do pensamento político, chamou-se de liberal o defensor de determinadas liberdades civis e liberdades econômicas. O liberalismo é a doutrina do liberal, pautado no pensamento dos liberais clássicos como Locke e Mill. O problema linguístico aparece quando nos Estados Unidos o termo liberal é usado para designar uma posição que, no Brasil, chamaríamos de liberalismo-social. Naquele país os defensores de liberdades se viram órfãos de um termo que os designassem. É neste contexto que aparece, para diferenciar o liberal, o termo libertarian.

A confusão para o leitor da língua de Camões ocorreu ao traduzir-se o termo libertarian por libertário. Este novo libertário também foi designado neste idioma como libertarista e libertarianista. É óbvio que um indivíduo que defende liberdades irá chamar a si mesmo de libertário, o defensor da liberdade, como aponta a definição dicionarista. Porém, devido ao uso deste termo em outras tradições do pensamento político, a confusão torna-se aparente.

Jorge Esteves da Silva está correto ao apontar que o termo libertário foi introduzido pelos teóricos anarquistas franceses no século XIX. No entanto apesar de reivindicar seu uso os anarquistas nunca buscaram ou quiseram ter direitos de propriedade sobre o uso desta palavra, o uso do termo libertário pode se modificar ao longo da dinâmica existente nas transformações linguísticas que sempre ocorreram na história.

Se o termo libertário foi introduzido pelos anarquistas, é compreensível que os seguidores de Joseph Déjacque (1821-1864) reivindiquem o seu uso para a defesa do pensamento político que defende a divisão equitativa do produto do trabalho numa sociedade organizada comunalmente, sem a existência de um governo central. É importante salientar que, antes de Déjacque, Pierre Joseph Proudhon (1809-1865) havia se autointitulado anarquista. O termo libertário não começa a ser utilizado como oposição ao mutualismo proudhoniano, como afirmam alguns libertários de direita, um sistema que defendia direitos de propriedade baseada na posse e uso e remuneração proporcional ao trabalho realizado.

Destarte, há neste ponto uma primeira distinção que merece atenção. Nos anarquismos não-individualistas o coletivismo é um ponto principal. Estes anarquismos que rejeitam em partes a associação com salários e preços, o chamado anarquismo social ou variações coletivistas no anarquismo, podem ter um caráter comunista libertário ou socialista libertário (posteriormente surge o anarco-sindicalismo). O anarco-socialismo, ou socialismo libertário, é a defesa de uma sociedade na qual todos os meios de produção são socializados. Porém, diferente de Karl Marx, defende que esta socialização ocorra sem a criação de um estado ou estrutura hierarquica e centralizada para governar. A revolução dos trabalhadores não trocaria os atuais governantes por novos governantes ou modelos centrais e estatais de organização, como defendeu Marx e ocorreu nas revoluções marxistas ao redor do globo. Contudo, para os anarco-comunistas há um problema grave com esta defesa socialista do anarquismo, pois ainda existira a remuneração pelo trabalho. O anarco-comunismo defende a abolição deste sistema de salários, visando uma distribuição dos bens a partir da necessidade. Tudo seria comum e distribuído para todos conforme fosse necessário o uso. Este sistema de abolição do dinheiro acabaria com a ideia de recompensa, pois todos teriam acesso ao que foi produzido e decidiriam democraticamente em suas comunas como utilizar os recursos e os bens produzidos.

O primeiro teórico a usar o termo libertário defendia uma posição anarco-comunista. Entretanto, Mikail Bakunin, teórico anarco-socialista, chamou seu anarquismo de socialismo libertário (em oposição ao socialismo autoritário, termo que usava para designar a ideia de Marx). Neste contexto, os anarco-comunistas, que viam no socialismo libertário uma estrutura de preços e salários, consideram a criação de outro termo para os definir e então surge o comunismo libertário.

Assim, o termo libertário na tradição anarquista não possui um uso uniforme. Obviamente que os anarcocomunistas reivindicam o seu uso devido ao seu surgimento porem não querem propriedade exclusiva sobre o termo e não sem importa com sua utilização por outras variações do anarquismo seja ela individualista ou coletivista. A liberdade que defendem é a liberdade social da vida numa comuna democrática com redistribuição por necessidade e não por mérito. Esta é a sociedade sem coerção, sem autoridade e sem amarras.

Por este tipo de anarquismo ser mais difundido, ajudado pelas revoltas e revoluções desencadeadas contra o capitalismo, não é de estranhar que os defensores do libertarianismo de direita sejam vistos com estranheza ao se considerarem libertários, porem as demais correntes anarquistas nunca os negarão o termo.

O libertarianismo, libertarianism no inglês, dentro da tradição anarquista está posicionado entre outro tipo de anarquismo que floresceu na primeira metade do século XIX, o anarquismo individualista. Nesta corrente é o indivíduo que está em primeiro plano, acima de um contexto social ou comunal.

Se na tradição individualista o libertarianismo defende as liberdades individuais em seu mais alto grau, ao defender um modo de produção de bens e serviços será buscada a forma mais livre de produzir. Portanto, é no livre mercado anti-capitalista que se pautará a defesa da efetivação da liberdade de se produzir onde, quando e como quiser com a reçalva de alguns mutualistas que defendem a busca de meios sustentáveis sempre que possível. Este ambiente de liberdade só é possível se as relações entre os indivíduos forem voluntárias e não orquestradas por um governo central. Bem diferente dos coletivistas, estes novos anarco-individualistas defenderão o mercado desempedido e anti-capitalista, sendo possível apenas num ambiente no qual sejam respeitadas as propriedades privadas cooperativistas. É exatamente no espaço privado que haverá a efetivação total das vontades e liberdades individuais. Como não são autosuficientes, os indivíduos precisarão efetuar trocas com outros indivíduos. O sistema de preços e as leis de oferta e demanda possibilitarão que as trocas justas ocorram, isto é, as trocas efetuadas voluntariamente serão justas se aceitas por ambas as partes sem a existência de fraude ou coação, para os anarquistas de livre-mercado este mesmo termo significa trocas voluntárias sem coerção ou intervenção estatal.

Apesar dessa defesa das liberdades, as liberdades econômicas eram o ponto menos aceito para uma tradição anarquista. Num século que foi marcado por ditaduras socialistas estatais, civil-militares e por enormes intervenções governamentais na economia era preciso demonstrar que a defesa de uma sociedade com mercados desimpedidos anti-capitalistas e anti-hierarquicas traria mais benefícios para os menos favorecidos economicamente. Esta defesa de uma economia de mercado trouxe para o moderno libertarianismo uma antiga direita, defensora do livre mercado capitalista e corporativista. Este foi um dos motivos para que os novos libertários ficassem associados apenas à defesa de mercados desregulados. Neste contexto, viu a necessidade de retomar-se uma forma de apresentar o libertarianismo que remonta à tradição individualista do anarquismo. Este libertarianismo retomado do século XIX fica conhecido como libertarianismo de esquerda (left-libertarianism) e é frequentemente utilizado por anarquistas mutualistas.

O libertarianismo de esquerda não é uma posição política homogênea. Antes, designa diferentes abordagens de questões políticas e sociais num contexto teórico nos quais diferentes teorias relacionam-se. Deste modo, falar em libertários de esquerda pode-se referir aos seguintes grupos teóricos: (1) esquerda libertária, (2) georgismo (geoísmo), (3) escola Steiner–Vallentyne, (4) agorismo, (5) left-libertarianism (libertarianismo de esquerda de livre mercado).

Apesar das diferentes linhas de pensamento, é a quinta vertente a que chama a si mesmo de libertária de esquerda. Há confusão, por exemplo, pelo fato de alguns autores identificarem alguns marxistas como Rosa de Luxemburgo, Anton Pannekoek, Paul Mattick, Cornelius Castoriadis, Jean-François Lyotard e Guy Debord como libertários de esquerda. A esquerda libertária, portanto, alinha-se muito mais com o socialismo libertário, já comentado anteriormente. Contemporaneamente, anarquistas famosos como Murray Bookchin e Noam Chomsky tem se identificado com esta tradição socialista de viés anti-estatal.

O georgismo refere-se à teoria político-econômica elaborada por Henry George. O ponto central do pensamento de George é que as pessoas são proprietárias de tudo o que criam, mas que os bens naturais, como a terra, não deveriam possuir proprietários. Economicamente significa que o único imposto existente deveria ser o imposto sobre a terra. Toda atividade econômica ficaria livre de taxação e a única taxação existente seria eficiente e equitativa ao recair sobre os que possuíssem mais propriedades de terra. Milton Friedman (1978) concordou com a posição de Henry George ao afirmar que o imposto sobre a terra seria menos nocivo e produziria menos distorções econômicas do que os impostos sobre as atividades econômicas. Vale salientar que apesar de não ser um anarquista, as ideias de George foram tomadas por alguns seguidores que reelaboraram o georgismo, transformando-o no chamado geoanarquismo, uma espécie de neo-georgismo.

A Escola Steiner–Vallentyne está alicerçada no pensamento de Hillel Steiner e Peter Vallentyne, além de possuir contribuições de outros acadêmicos e pensadores não necessariamente left-libertarians. A questão chave desta escola é criticar a concepção de autopropriedade de Robert Nozick (famoso pelo seu clássico Anarquia, Estado e Utopia) e a dedução de que a propriedade de outros recursos naturais decorra deste conceito. Neste contexto, o pensamento desta escola aproxima-se do pensamento de Henry George ao afirmar a necessidade de “uma compensação que os proprietários devem aos não proprietários mediante impostos ou rendas sobre a propriedade de recursos naturais, incluindo a propriedade da terra” (ROSAS, 2009).

O agorismo é a filosofia política elaborada por Samuel Edward Konkin III, ativista libertário. O termo remete à palavra ágora do grego. A ágora era a praça principal da pólis grega, o local onde ocorriam as assembleias e onde havia mercados e feiras livres. Ao propor o agorismo, Konkin queria fugir dos antigos rótulos “liberal” e “anarquista”. O agorismo seria então a filosofia política baseado nos mercados livres anti-capitalistas ( que mais tarde seria utilizadas por AnarcoCapitalistas que se baseariam nos mercados livres anti-capitalistas estatais), em suas palavras “libertária em teoria e de livre-mercado anti-capitalista na prática”. Konkin expôs suas ideias no Manifesto do novo libertário. Neste livro, apresenta o conjunto de conceitos e princípios que baseiam a defesa de uma sociedade livre. Aponta que a nossa condição é o estatismo e a econômia corporativista que este precisa ser eliminado para que se atinja a sociedade agorista. Defende a contra-economia, isto é, que os libertários evitem ao máximo a economia branca vendas e trocas por bancos e empresas “legais” e façam suas trocas no mercado negro, como forma de atingir o estatismo e o capitalismo. Konkin não apenas defendeu esta ideia, mas praticou a contra-economia incentivando o surgimento de empreendedores do mercado negro. Foi grande crítico de uma transformação pela via política, como o Libertarian Party, defendendo uma revolução cultural que minasse o estatismo.

O quinto grupo que pode ser definido como libertário de esquerda é o libertarianismo de esquerda. Neste sentido, quando dentro da tradição libertária (do libertarianismo) fala-se de um libertarianismo de esquerda (left-libertarianism) é a este movimento que se refere. Dentro os mais notáveis pensadores desta posição estão Kevin Carson, Roderick T. Long, Charles Johnson, Brad Spangler, Sheldon Richman, Chris Matthew Sciabarra e Gary Chartier.

A principal diferença do libertarianismo de esquerda com o libertarianismo mais difundido no Brasil está relacionada com questões sociais, como drogas e aborto, e questões econômicas, como propriedade da terra e grandes corporações. É certo que autores como Murray Rothbard, Walter Block, Leonard Read e Harry Browne ,assim como alguns anarcocapitalistas, escreveram sobre o libertarianismo não ser nem de direita e nem de esquerda, criticando autores que se posicionam nas vertentes left e right do pensamento libertário. Apesar deste ímpeto de evitar tal classificação, inclusive sob o slogan “nem esquerda, nem direita, libertário”, Anthony Gregory apresenta uma distinção que pode auxiliar a diferenciação entre o libertarianismo de esquerda e de direita.

Outro ponto importante na abordagem à esquerda do libertarianismo é ser contra o poder das grandes corporações. Há enorme vinculação entre o poder estatal e o poder dos grandes grupos corporativos. Defender a liberdade econômica seria favorecer os que já começam no livre mercado amparados, auxiliados e favorecidos pela condição histórica anterior. Quantas histórias de favorecimento com doações de terras, ou mais sujas, como o pagamento de fiscais do governo para atrapalhar concorrentes e até mesmo a morte de concorrentes não existem no mundo do big business? Como as pessoas poderiam competir num mundo no qual o favorecimento histórico concedeu terras aos amigos dos que detinham poder político? Seria justo ignorar o histórico ilegal de aquisição de terras e bens? Terras sem uso deveriam ser consideradas propriedade e quem as usasse considerados invasores? Para os libertários de esquerda essas questões são fundamentais.

Em questões sociais, os libertários de esquerda desaprovam toda forma de opressão. São, por isso, contrários ao racismo, sexismo, hierarquia e formas autoritárias de educação e cuidados parentais.

Em suma, o libertarianismo de esquerda é uma oposição ao que Kevin Carson chamou de libertarianismo vulgar. Para Carson, a defesa da privatização, desregulamentação, diminuição dos impostos para corporações, negação do aquecimento global, aumento de políticas imigratórias e livre mercado sem a defesa da legalização das drogas, das liberdades civis, reforma nos impostos (fechando brechas usadas pelas grandes empresas), eliminação do bem-estar corporativo e liberdade de operar um negócio sem licença sanitária, por exemplo, é um libertarianismo incompleto, um libertarianismo vulgar, libertarianismo este que os libertários de esquerda se opõem com todas sua força, é importante reçaltar também que Libertários de esquerda são favoráveis de um forma geral a ações diretas e até mesmo táticas como o Black Bloc e também a greves e outros meios não-agressivos.

Temos então o libertarianismo de esquerda como algo diferente do anarcocomunismo e anarco-socialismo (socialismo libertário). As preocupações com os grandes detentores de poder econômico são similares. Porém, ao invés de uma sociedade com abolição total da propriedade privada e da moeda os libertários de esquerda defendem um livre mercado anti-capitalista com seus meios de produção auto-geridos e anti-hierárquicos baseados nas cooperativas como os coletivistas porem cooperativas estas que são privadas e não socializadas um livre-mercado anti-capitalista sem classes sociais nem burguesia uma vez que mesmo as cooperativas privadas estariam totalmente na mão dos trabalhadores e o acumulo massivo de capital se tornaria impossível na anarquia de livre-mercado, estes anarquistas de livre-mercado no entanto não se confundem nem um pouco com liberais ou anarcocapitalistas estes últimas são vertentes radicalmente diferentes e oposições do libertarianismo ou libertáio de esquerda.

A defesa de um livre mercado, entretanto, não se resume a apenas deixar de controlar a economia, mas de pensar um modo no qual cada um possa realmente ser dono de si numa sociedade construída sobre bases igualitárias que diminuíssem as diferenças herdadas por séculos de um sistema que favoreceu poucos em detrimento dos demais, questões de género, e outras opressões como machismo, homofobia e racismo são também de extrema importância para os libertarianistas de esquerda.

Com isto, é totalmente plausível chamar o libertarianismo de esquerda de libertário. O libertarianismo é de esquerda, pois considera os menos favorecidos. Talvez o termo libertário seja um problema semântico apenas para os defensores de um libertarianismo preocupado apenas com as questões econômicas, como Ancaps e libertarianistas de direita que se comparão fácilmente com liberais.

No geral libertário é um termo que é usado por todas variações tanto do anarquismo como de outros movimento, geralmente associados com uma área anti-autoritária da esquerda, Anarco-comunistas, Socialistas Libertários, Anarco Sindicalistas e Mutualistas que hoje usam o termo de Libertarianistas de Esquerda, e utilização deste termo não deixa de ser menos justa para nenhum deles e ambos nunca fizerão uma reivindicação sobre tais termos como se algo pertence-se a eles como alguns novos liberais/libertários de direita costumam fazer principalmente nos atuais grupos de discussão.

Fonte: Plebeu Subversivo

Live from PorcFest X

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Este texto é parte de uma série de traduções feita pelo O Inimigo do Rei dos textos do site Agorist Report, para fazer a leitura completa de todos os artigos traduzidos clique aqui. / Para ler o artigo original clique aqui.

Tradução: Vinícius Morgado
Revisão: Aline Morales

[Artigo 2 AR]

Dia 1

Chegamos no final do dia na segunda-feira depois de uma longa viagem de carro de 3 dias. A primeira coisa que fiz foi dar um passeio ao redor da Agora e tomar uma em um ambiente de puro livre mercado. Eu comprei o meu próprio ponto no Mercado Livre para vender o meu sabão natural, esfoliação corporal, e absorve musculares. A partir daí, fizemos o nosso caminho até a Keene Pavilion, a entrada era gratuita, onde tivemos alguns dos famosos Baklava de George e assistimos ao “Alternativas de ensino superior para estudantes” de Antonio Buehler e Steven J. Howard aonde acontecia também a palestra “Lei no Agora: Resolução de Conflitos em um livre mercado” no o BitTent. Após esses dois discursos (que foram gravadas pela Recording Red Pill) fomos até a sala de mídia, onde tive a oportunidade de falar sobre o Clark Show.

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Após Clark show nos mostrar sua apresentação e batermos um papo com ele fizemos o nosso caminho para o Open Mic Comedy Night que seria exibida no Keene Pavilion com entrada franca, Nós conseguimos ficar para a apresentação de Neil Schulman e sua obra “Ao Lado da noite. A partir de agora estamos hospedados em um motel fora da área de camping do Roger, esperamos conseguir pergar um local que acabou de abrir, pois isso vai permitir-nos ficar a noite inteira no evento.

Dia 2

Na terça-feira, terminou que passamos a maior parte do dia tentando tirar nosso produto para fora do carro, porque eu tranquei as chaves dentro :p . Tivemos várias multidões que vêm e vão ao longo de cerca de 2 horas, mas ninguém conseguiu o abrir o carro. Eventualmente alguém de trás da recepção chamou um oficial de folga para nos ajudar. Primeiro ano em Porcfest e já estamos chamando a polícia para pedir ajuda hahaha. Depois de pegar a minha posição no Mercado Livre paramos e fomos para Keene Pavilion para encontrar Antonio Buehler dando uma apresentação sobre seu projeto “Peaceful Streets“. Eu fui capaz de falar com Shawn Casa de Hempzels em seu estande.

Dia 3

Passei a maior parte desta quarta-feira explorando o extenso Agora Valley” o lugar onde a maioria dos vendedores vão para abrir sua loja durante o evento. Houve uma grande variedade de produtos que vão desde smoothies e tatuagens, bolsas, metais e salões de narguilé. A melhor parte da experiência foi ver a maioria dos fornecedores que aceitam moedas alternativas. Alguns fornecedores, como Hempzels, são mesmo comércio de metais preciosos com preço inferior ao preço de mercado, estava vendendo no festival apenas para que ele não tenha de lidar com o estado. No entanto, a maioria esmagadora tem sido focada em Bitcoin quase todo fornecedor tem um endereço Bitcoin que pode ser usado para o pagamento, os demais aceitem ouro e prata como moeda de pagamento. Outra coisa que eu não podia deixar de notar foi o consumo aberto de Cannabis. A maioria das pessoas no Porcfest abraça um tipo de mentalidade radicalmente livre que faz você se sentir mais como um retiro espiritual do que qualquer outra coisa.

Por volta de 06:00 David Friedman, filho de Milton Friedman, fez um discurso na Keene Pavilion gratuito intitulado “A Teoria consequencialista do anarco-capitalismo”. Infelizmente, eu não pude comparecer porque era necessária a minha presença no Mercado Livre. Esperemos que eu vou ter a chance de falar com ele cara a cara nesta semana. Passei a noite em um bar chique chamado The Lucky Javali“, que aliás é um ótimo bar para qualquer um que queria parar.

A principal atração foi o canhão bola de fogo que atirava bolas de fogo e todo o acampamento podia ver. Outra grande coisa que eu estou descobrindo sobre Porcfest é a quantidade de conversas estimulantes mentalmente focados principalmente em torno da liberdade é quase irresistível não participar de alguma, certamente mais produtiva do que a discussão que ocorre ao longo das rede sociais. Estou muito feliz do que eu fiz este ano e não posso esperar para ver o que o resto da semana, tem muitas lojas, palestras e experiência pela frente. Mais tarde, na noite Eu também tive a oportunidade de sentar-se com Pete Eyre do Cop Block.

Dia 4

Começamos a quinta-feira com um belo café da manhã. Problemas técnicos com a rede peo acampamento continuam a impedir-me de atualizar o blog. A maioria das pessoas parecem estar descançando hoje para os principais eventos na sexta-feira. Depois de passar a maior parte da manhã tentando fazer upload de algumas fotos, fomos até a sala de imprensa para assistir aoSovereign life reality show” filmado com John Bush e Cat Bleish. Os desafias do show são de mudar de uma vida de ativismo agressiva como grupos de afinidade ou não-agressiva como agorismo, para uma vida familiar de auto-suficiência, sem depender de grandes instituições para obter ajuda. Eu tive a chance de falar com John depois e eles planejam expandir o show em pelo menos 10 episódios, em seguida, a esperança de transformá-lo em um show baseado em assinatura. Para saber mais sobre o show, acesse Sovereign Living.tv.

Depois de obter alguns dos famosos Baklava de Mandrake, fomos até a Sala de Imprensa para ver o Anjo Clark Show falar ao vivo, onde ao mesmo tempo Freedman debatia Chris Cantwell sobre os méritos da evolução pacífica contra a revolução violenta. Mais tarde na noite, nós assistimos apresentações do concurso agorista de campo, organizado pela Tarrin Lupo. As regras do concurso eram bastante simples, basta entregar um discurso de cinco minutos para uma ideia de negócio agorista na frente de três juízes. Os juízes votaram em cada campo, mas a multidão tinha a última palavra em caso de empate. O primeiro prémio foi uma onça de ouro, segundo foi de US $ 1.000 em Bitcoin, e em terceiro lugar foi de US $ 500 em prata. Em seguida, terminou a noite com a exibição de Victimless Spree Crime de Derrick J.

Dia 5

Sexta-feira começou com uma paródia de manhã cedo feita por Larken Rose chamada Um papo com sociopatas“. Durante este discurso, Larken Rose falou com várias versões paródia de líderes mundias que estavam mais para a frente sobre suas façanhas do que o habitual. Depois disso, vimos Ben Stone na palestra “Descobrindo e derrotando o pensamento estatista“, em que ele atacou a mentalidade de empurrar estatismo para a geração mais jovem, sob a forma de “governo limitado” ou “estado mínimo”, e ressaltou que o estado continua sendo o mesmo mínimo ou não e como ele sempre irá crescer e se tornar tirânico como o estatismo que vemos no EUA hoje. Ele também falou sobre como os ativistas devem mudar-se por reconhecer, isolando, e rejeitando o” pensamento estatista em sua própria vida. Depois dessa conversa eu era capaz de conversar com Ben em uma entrevista que será publicada em breve.

Em três horas, fizemos o nosso caminho ao longo de (AKA Dollar Vigilante) de Jeff Berwick Bitcoin, Bullion, e balas: Toolbox do anarquista para a Collapse Coming”, onde ele falou principalmente sobre o investimento em moedas alternativas e seu próximo projeto Gulch de Galt uma comunidade de expatriados libertário no Chile. Depois disso, vimos o orador principal Michael Boldin, fundador e diretor executivo da Décima alteração Center, dar o seu discurso De 0 a Rothbard – Plano de Acção para a liberdade“. Feud Freedom” foi apresentado por Bob Murphy mais tarde da noite, Porcfest versão própria de Family Feud.

Dia 6

Sábado parecia ser o mais movimentado de todos os dias. Passei a maior parte do dia com meu bom amigo Nick Ford no AltExpo tenda onde eu vi uma apresentação sobre “OpenGarden” um novo serviço de rede de malha focada no fornecimento descentralizado e gratuito de Internet de alta qualidade. Depois disso, nós ficamos para o debate “Conspiracionistas vs céticos“, o que, eventualmente acabei ficando com tanto calor que acabei saindo e voltando para a palestra do “Livre-Mercado Anti-capitalista” de Charles Johnson. Durante esta apresentação, Charles coloca para fora algumas de suas tendências básicas do Livre Mercado de esquerda. Para uma melhor compreensão deste ponto de vista, vá para o livro que ele editou “Markets not capitalism”. Além disso, fique atento para a nossa terceira edição, em que entrevistamos Charles Johnson e Gary Chartier do C4SS.

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Voltamos ao nosso quarto de motel para dormir uma pouco para a festa de dança Unce“. Depois, eu acordei e fiz meu caminho até o Vale Ágora para encontrar algum jantar. Ouvi muitos aplausos vindos de na Keene Pavilion, então eu desci apenas para descobrir que Gary Johnson estava fazendo um discurso. Ele parecia fazer bem em alguns temas como a “guerra às drogas“, mas se esforçou sobre outros, como o seu apelo a um imposto nacional de consumo. Eu não fiquei muito tempo.
Pouco tempo depois do anoitecer, havia um show pirotécnico estrondoso que levou a maioria dos participanmtes da Porcfest até Keene Pavilion para a “festa de dança Unce“.
Apesar de tudo, estava um bom tempo, fiz um monte de amigos, e sugiro este festival para todo ativista orientado pela liberdade seja ele anarquista coletivista ou individualista, agorista ou não. Espero participar novamente no próximo ano.

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The Midwest Peace & Liberty Fest (Festa da Paz & Liberdade Centro-Oeste)

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008_Midwest-FestEste texto é parte de uma série de traduções feita pelo O Inimigo do Rei dos textos do site Agorist Report, para fazer a leitura completa de todos os artigos traduzidos clique aqui. / Para ler o artigo original clique aqui.

Tradução: Vinícius Morgado
Revisão: Aline Morales

[Artigo I AR]

Há muitos festivais libertários aparecendo por toda a América, Porcfest e Jackfest sendo os exemplos mais proeminentes. Como a maioria desses festivais acontecem na costa leste ou oeste dos E.U.A aqueles que vivem no Centro-Oeste são frequentemente incapazes de participar, mas isso está começando a mudar. Ontem eu consegui entrar em contato com Katie Testa da The Peace & Libertarian Coalition em Michigan e fazer-lhe algumas perguntas sobre uma das mais recentes festas libertárias da região a , The Midwest Peace & Liberty Fest.

Sean: O que é a [1] The Midwest Peace and Liberty Fest?

Katie Testa: Dos dias 22 a 25 de agosto a The Peace & Libertarian Coalition de Michigan será a anfitriã do Midwest Peace & Liberty Fest. Este evento é um longo e descontraído final de semana de camping familiar e acolhedor aonde os amantes da liberdade de todo o Centro-Oeste podem vir a participar para comemorar e discutir as ideias e valores compartilhados entre eles enquanto ao mesmo tempo colocam em prática uma ruptura com a tirania. A Festa deste ano terá lugar no Círculo Pines Center em Delton, Michigan, que é um centro de educação e recreação baseado no membro cuja missão é educar para a paz, a justiça social, a gestão e cooperação ambiental.

Circle Pines oferece espaço de sobra no hectares de terra com colinas, madeira e florestas de pinheiros, prados e uma praia de areia no lago Stewart Lake. Há quilômetros de trilhas para caminhadas, fauna diversificada e uma horta orgânica e pomar fornecer produtos frescos. Canoas estão disponíveis para remar no lago, no entanto, eles são em número limitado, para que os hóspedes sejam incentivados a trazer seus próprios caiaques e canoas. Não existe um belo lago sem alguns excelentes pontos de pesca, por isso não se esqueça de trazer varas de pesca, qualquer uma! Há também uma sauna a lenha à beira do lago para aquecer-nos depois de nadar na praia incluído nas comodidades. Lenha e água corrente estão disponíveis, juntamente com chuveiros e banheiros de verdade! Eletricidade vai ser em quantidade limitada, no entanto. Acima de tudo, o evento é realmente sobre as pessoas, das quais eu tenho certeza que não vai decepcionar! Horas de discurso filosófico e outras atividades intelectuais emocionantes abundam a festa.

Sean: Há planos para acomodar pessoas que venham para vender mercadorias?

Katie Testa: É uma de nossas prioridades incentivar os participantes a trazer as suas ofertas e contribuir para a construção de um mercado paralelo movimentado e robusto para todos os gostos. Alimentos, produtos artesanais, roupa, casa de câmbio e uma variedade de outros serviços estarão disponíveis.

Sean: Os palestrantes e entretenimento deste tipo estarão presente?

 

Katie Testa: Nós sabemos o quão valioso o tempo livre a partilha de refeições, conversa, e conexão com a comunidade like-minded é, e com isso em mente, temos a certeza de manter a natureza descontraída e flexível do festival como no ano passado. Esta não é uma convenção, é uma conversa. Também estamos cientes de que há um valor em destacar as mentes inovadoras e inteligentes que a comunidade tem para oferecer liberdade de todo o Centro-Oeste.

 

Havera um Tenda de palestra por ordem espontânea, esperamos um line-up de entusiastas da liberdade de todo Centro-Oeste oferecendo palestras, discussões interativas, demonstrações e diálogos sobre as questões mais pertinentes relevantes para a liberdade! Haverá também oportunidades para você e qualquer participante tomar a palavra, se assim decidir. Nós vamos anunciar um calendário para a Tenda em um futuro próximo, mas neste momento temos palestrantes cobrindo tópicos que vão desde oficinas de metalurgia básica, criptografia, gerenciamento de jardim de clima frio, construção cordwood / cob / REB, auto-defesa aumentando a autonomia pessoal através Permacultura, como liberar a si mesmo e os outros através da comunicação não-violenta, encontrar um terreno comum e conexão entre os vários ramos do movimento libertário, [2]parenting calmo e meditações guiadas. Estamos incentivando os músicos para trazer os seus instrumentos acústicos e tambores para se divertir no luar a noite ao lado da fogueira!

 

Para mais informações sobre o The Midwest Peace & Liberty Fest clique aqui.

 

Katie Testa Praticante de Comunicação Não-Violenta, mãe de 3 filhos, Agorista e ativista pela liberdade. Katie também é co-fundadora e participante ativa da The Peace & Libertarian Coalition em Michigan E.U.A, apresentador do The Focus Local e Free Detroit. Ela defende o uso da educação, da persuasão, empatia e resistência não-violenta como o principal meio para trazer a liberdade em nosso tempo de vida.

 

Sean: Entrevistadxr do Agorist Report.

 

Notas
[1] Tomamos a liberdade de manter os nomes das organizações e locais em sua língua original. ~ Aline
[2] Nomes de quaisquer tipos de práticas como algumas fomas de meditação foram mantidas em sua lingua original por carecer de tradução. ~ Morgado

 

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